A filosofia Capello
OS GRANDES DESAFIOS DA CONSTRUÇÃO DO NOVO REAL MADRID.
É um dos maiores «case study» tácticos deste início de época. Como irá Capello esquematizar o novo Real Madrid. O primeiro jogo com o Villarreal deixou os adeptos preocupados. Em vez de velocidade e espectáculo, um jogo lento e previsível, sem golos. Entre o 4x2x3x1 e o 4x4x2, está a base para equilibrar o onze a defender e dar-lhe dinâmica a atacar
Independentemente do sistema preferencial utilizado (desde o 3x5x2 de Roma ao 4x4x2 da Juventus), as equipas de Capello, fiel à escola italiana, ficaram sempre conhecidas pela sua solidez de processos defensivos, quer na cultura posicional do sector mais recuado, quer, sobretudo, na acção do seu duplo-pivot defensivo, fazendo a primeira linha de cobertura do meio campo, plantado à frente dos centrais. Foi este o ponto de partida para a construção do seu novo Real Madrid. Para isso contratou um central de grande nível (Cannavaro) e reformulou a zona à frente de defesa que, nas últimas épocas, fora a grande fonte de desequilíbrios da equipa na transição defensiva, com as contratações de dois médios-centro defensivos: Emerson (seu escudeiro fiel que já o acompanha há sete épocas, desde Roma a Turim) e Diarra. Apesar de algo passivos na recuperação, sobretudo Emerson (cada vez mais lento e pesado), deixando Riquelme pegar na bola à vontade, ambos já disseram que, com eles, o onze nunca irá ficar descompensado sem bola na transição ataque-defesa, exposto aos contra-ataques adversários.
O primeiro pilar da filosofia de jogo de Capelllo está, assim, erguido. Falta, agora, trabalhar a dinâmica ofensiva.
Em termos de sistema, duas opções: o 4x2x3x1 e o 4x4x2.
Dependendo muito da subida dos laterais (Roberto Carlos, Michel e Cicinho) para dar profundidade de jogo vertical aos flancos, a acção dos alas, num sistema ou noutro, é sobretudo de flanquear jogo. Na direita, Beckham procura os cruzamentos, na esquerda, Cassano (utilizado nessa posição frente ao Villarreal) joga de fora para dentro, em diagonal, surgindo nas costas do ponta de lança, explorando-se, simultaneamente, as trocas posicionais com Raul, que, em sentido inverso, joga de dentro para fora. Parte da zona central entre linhas, lugar antes muitas vezes ocupado por um 10 clássico como Zidane, e, depois, surge descaído sobre as esquerda, fugindo às marcações. Apesar da precisão destes movimentos, faltou-lhes ainda velocidade para causar desequilíbrios.
A segunda via reside em, mantendo a mesma estrutura defensiva, criar um modelo com uma dupla de pontas de lança Van-Nistelrooy-Ronaldo. Nessa vertente, em 4x4x2 sem médio centro, são necessários alas fortes quer a flanquear como a flectir no terreno para pegar no jogo na zona central de construção atrás dos avançados, pois nenhum dos pivots defensivos tem clara cultura de queima-linhas, entrando de trás em transporte e construção, como seria Vieira. Diarra faz isso a espaços mas não é a sua principal vocação, pois prefere fazer circular a bola mais atrás. Para estes princípios de jogo funcionarem, necessita de Cassano e Raul em grande forma.
Seja como for, em qualquer sistema, Capello vai sempre privilegiar a ordem táctica e dar rédeas curtas à inspiração individual. Diminuiu os riscos defensivos, é certo, mas, ao mesmo tempo, limita a inspiração ofensiva.
A filosofia Capello
| author: Gustavo BrancãoPosts Relacionados:
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